Gol e Latam são investigadas por possível acordo de preços

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) iniciou uma investigação para averiguar se as companhias aéreas Gol e Latam acordaram preços mais altos de passagens. Para isso, as duas empresas já forneceram arquivos detalhados de bilhetes vendidos dos últimos cinco anos.

A equipe do Cade pretende analisar os dados para determinar se os preços foram similares ao longo do tempo nas mesmas rotas e horários. A principal suspeita é que os sistemas informatizados de emissão de bilhetes tenham sido acertados para ajustar os preços.

A estratégia do Cade é inovadora — uma plataforma de inteligência artificial será utilizada para filtrar e compilar os dados.

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Cade vai analisar preços de passagens

Sem provas de arranjo de preços por meio de mensagens ou chamadas telefônicas, os técnicos buscam identificar padrões de preços elevados por meio da análise de cada passagem vendida.

Uma hipótese é que os sistemas eletrônicos tenham sido programados para aumentar os preços, independentemente de horário ou demanda.

Para isso, o Cade vai analisar a taxa de ocupação dos voos ao longo do período e comparará ao volume de vendas de bilhetes das duas companhias. Normalmente, voos com baixa ocupação têm preços mais baixos para incentivar a venda, já que a lucratividade é alcançada com ocupação acima de 70%.

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Se as suspeitas de cartel forem confirmadas através de algoritmos das plataformas de venda, o Cade terá de encontrar uma forma de responsabilizar as companhias aéreas.

Atualmente, a legislação exige provas formais, como interceptações telefônicas com autorização judicial ou trocas de mensagens por e-mail ou WhatsApp. Este seria um caso inédito, em que as provas viriam dos próprios sistemas informatizados das empresas.

A ação do Cade atende à pressão do governo e do Congresso sobre os preços das passagens aéreas, considerados sem justificativa plausível pelos parlamentares.

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