PF encontra provas que contradizem ex-CEO da Americanas

A Polícia Federal (PF) encontrou provas que contradizem o ex-diretor-executivo das Lojas Americanas Miguel Gutierrez. Ele alegava desconhecer as “inconsistências contábeis”, responsáveis por um rombo de R$ 25,3 bilhões na empresa. O jornal O Estado de S. Paulo divulgou a informação nesta quarta-feira, 10.

As anotações recuperadas do iPad de Gutierrez mostram que ele estava ciente e acompanhava o mecanismo da fraude investigada na Operação Disclosure.

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De acordo com o Estadão, a defesa do ex-diretor-executivo da Americanas afirma que “jamais participou ou teve conhecimento de qualquer fraude”. “A defesa nega veementemente a participação de Miguel Gutierrez em qualquer fraude ou prática de atos para ocultar seu patrimônio, que se encontra estruturado de forma absolutamente lícita e transparente”, informaram os advogados.

A polícia encontrou as anotações no iPad de Gutierrez e serviram como base para o pedido de prisão preventiva. Ele registrava cada movimento fora da contabilidade oficial da empresa. O ex-diretor-executivo utilizava diferentes cores de tinta e destacava pontos importantes. Essas informações foram cruciais para a investigação.

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O delegado André Gustavo Veras de Oliveira solicitou a prisão de Gutierrez, em 23 de junho, quatro dias antes do início da Operação Disclosure. O ex-diretor-executivo e outros executivos venderam R$ 287 milhões em ações, antes do anúncio do rombo de R$ 25,3 bilhões no balanço da empresa, em janeiro do ano passado.

A prisão de Gutierrez ocorreu em Madri, pela Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol). A polícia soltou o executivo mediante medidas cautelares, como a entrega do passaporte. A Procuradoria da República afirmou que há inúmeras provas de que “toda a fraude na Americanas era comandada por Gutierrez”.

Operações de risco não constavam no balanço da Americanas

As anotações do ex-diretor-executivo reforçam essa conclusão e questionam a versão dada por ele aos investigadores. Elas tratam de operações de risco sacado, não apresentadas nos balanços da Americanas.

Essas operações, que são uma forma de empréstimo, alongavam o prazo para pagamento a fornecedores, “otimizando” o caixa da varejista. O problema foi a ocultação dessas operações dos balanços, alertada pela Comissão de Valores Mobiliários, em 2016.

Investigadores encontraram anotações, como “o Itaú deve alongar” o pagamento do AF (antecipação de fornecedores) e registros sobre a operação “Forfait“, sinônimo para risco sacado.

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“Miguel Gutierrez não só tinha pleno conhecimento das operações de risco sacado, como também acompanhava de perto as tratativas de contratação e desenvolvimento delas junto aos bancos”, afirmou a PF.

O Ministério Público Federal destacou os manuscritos no parecer que concordou com o mandado de prisão de Gutierrez. Segundo a procuradoria, as anotações mostram que ele “não apenas sabia, como falava em ‘alongar prazo com o Itaú’ e que a reação do Santander ao risco sacado foi péssima”.

No caso da Americanas, a operação de risco sacado foi usada para gerar caixa sem que o mercado percebesse o passivo decorrente das operações de crédito sacado, que não foram registradas como dívidas. Isso levou o mercado a acreditar que a situação financeira da empresa era melhor do que a realidade.

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