O Oklahoma City Thunder alcançou uma das melhores campanhas da história da NBA considerando os primeiros 20 jogos da temporada regular. A vitória sobre o Phoenix Suns por 123 x 119 deixou a franquia de Shai Gilgeous-Alexander e companhia com 19 vitórias e apenas uma derrota na temporada, que ocorreu para o Portland Trail Blazers de Tiago Splitter na nona rodada.
Foi apenas a quinta vez na história que uma equipe conseguiu 19 vitórias nas 20 partidas iniciais. E para um Thunder, um excelente sinal: a marca é sinônimo de longa caminhada nos playoffs.
Além da campanha impressionante, também chama a atenção o fato do Thunder dominar completamente suas partidas. Dentre estas campanhas históricas, OKC tem o maior saldo de pontos: são 15,9 pontos de vantagem em média para os adversários. E tudo isso sem Jalen Williams, uma das estrelas da equipe, que só estreou na 20ª rodada, justamente diante dos Suns.
Se a superstição entra em quadra, a torcida de Oklahoma pode ficar muito empolgada. Vamos relembrar o que aconteceu com as melhores campanhas nos 20 primeiros jogos na história da NBA.
Golden State Warriors 2015-16: 20 vitórias e nenhuma derrota
A histórica campanha do Golden State Warriors, único time a manter a invencibilidade nos 20 primeiros jogos, é uma das mais famosas de todos os tempos. A constelação de craques formada por Stephen Curry, Klay Thompson, Draymond Green e o brasileiro Leandrinho, quebrou o recorde do Chicago Bulls de Michael Jordan e terminou a temporada com incríveis 73 vitórias e apenas nove derrotas, melhor marca da história.
Nos playoffs, GSW atropelou o Houston Rockets e o Portland Trail Blazers, venceu a final de conferência numa série alucinante contra o Oklahoma City Thunder, mas perdeu a final por 4 a 3 para o Cleveland Cavaliers de LeBron James após abrirem 3 a 1.
O lema da equipe nos playoffs era Don’t mean a thing without a ring (“Não significa nada sem o anel”), em referência a um lema muito semelhante dos Bulls nos anos 90, quando tiveram a campanha de 72-10, recorde até então. No caso de Chicago, porém, o anel veio. Já para os Warriors, a imagem da série foi o histórico toco de LeBron em Andre Iguodala no Jogo 7 das finais.
New York Knicks 1969-70: 19 vitorias e uma derrota
Os Knicks vinham numa crescente nos três anos finais da década de 1960, que foi dominada pelo Boston Celtics de Bill Russell. Após sete temporadas sem ir aos playoffs, New York chegou na primeira rodada do Leste por dois anos seguidos, até que em 1968-69 parou na final de conferência, caindo justamente para os celtas. Na época, vale lembrar, os playoffs já começavam na semifinal de conferência, com uma rodada a menos do que ocorre hoje.
Já em 1969-70, com Bill Russell aposentado, os Knicks deslancharam. E não apenas pela ausência do rival, mas principalmente pelo amadurecimento do armador Walt Frazier e do pivô Willis Reed, então com 23 e 26 anos respectivamente. O início de campanha foi irretocável, com 26 vitórias nos primeiros 28 jogos. Na segunda metade da temporada o desempenho caiu um pouco, com direito a seis derrotas nos últimos oito jogos, mas mais que o suficiente para garantir o primeiro lugar da conferência com um 60-22.
Nos playoffs, venceram o Baltimore Bullets (atual Washington Wizards) por 4 a 3 e o Milwaukee Bucks de Kareem Abdul-Jabbar por 4 a 1.
A final foi contra os Los Angeles Lakers de Jerry West, Elgin Baylor e Wilt Chamberlain, que também tentavam sair da fila após a década de domínio dos Celtics. Os angelinos eram considerados amplo favoritos, mas os Knicks endureceram o jogo. A série foi marcada por vitórias alternadas, começando por Nova York no Jogo 1. Na quinta partida, porém, a estrela Willis Reed teve uma lesão na coxa, e os médicos disseram que ele estava fora das finais. Os Knicks ainda ganharam aquela partida e abriram 3 a 2, mas os Lakers seguiam favoritos.
Em Los Angeles, os californianos venceram o Jogo 6 e empataram a série.
Na finalíssima, em pleno Madison Square Garden, Willis Reed foi para o sacrifício. Mancando, fez as duas primeiras cestas dos Knicks na partida, os únicos que conseguiria na noite, levando a torcida ao delírio. Os jogadores embalaram com a pressão das arquibancadas, e Walt Frazier anotou 36 pontos e 19 assistências para liderar a equipe em quadra. No fim, os Knicks dominaram o jogo e venceram por 113 a 93, sacramentando o primeiro título da história da franquia.
Portland Trail Blazers 1990-91: 19 vitórias e uma derrota
Desde o título em 1976-77 até o início dos anos 90, os Trail Blazers conseguiram se manter competitivos em quase todas as temporadas. Neste meio tempo, houve uma passagem de bastão na liderança do time em quadra, de Bill Walton para Clyde Drexler, draftado em 1983. O encaixe de Drexler foi imediato, a ponto de, no ano seguinte, não escolherem um tal de Michael Jordan no Draft de 1984, pois a posição já tinha dono na franquia.
Em seu lugar, chegou o pivô Sam Bowie, que não sobreviveu em Portland até 1991. Após uma séria lesão na temporada 1986-87, ele foi trocado em 88 para o New Jersey Nets (atual Brooklyn Nets) por Buck Williams.
Williams, ao lado de Clyde Drexler, Terry Porter e Danny Ainge, chegou até a final da NBA em 1990, mas caíram para o Detroit Pistons de Isaiah Thomas e companhia. O que não abalou os Trail Blazers em 1990-91, que tiveram um início de temporada formidável, com as 19 vitórias em 20 jogos. A reta final também foi ótima, com 16 vitórias nos últimos 17 jogos, finalizando a temporada regular com 63-19 e a liderança tranquila na Conferência Oeste.
Nos playoffs, passou pelo Seattle Supersonics e pelo Utah Jazz, até a final de conferência contra o Los Angeles Lakers de Magic Johnson, naquela que seria a última temporada antes da aposentadoria repentina pelo diagnóstico positivo de HIV.
A série teve foi equilibrada, e as equipes chegaram ao Jogo 6, no Memorial Coliseum, em Los Angeles, com os Lakers vencendo por 3 a 2. Os Trail Blazers não começaram bem o jogo decisivo, mas conseguiram se recuperar ao longo da partida. Com 40 segundos no cronômetro, Clyde Drexler roubou a bola e correu sozinho para a cesta, deixando a partida com apenas um ponto de diferença.
A posse seguinte, dos Lakers, terminou sem cesta, e Portland teve a chance de virar o jogo. Mas Terry Porter, num arremesso de longa distância, não conseguiu converter a tentativa restando três segundos no cronômetro, dando a vitória para os angelinos.
Houston Rockets 1993-94: 19 vitórias e uma derrota
Após uma série de eliminações na primeira rodada dos playoffs, o Houston Rockets, uma equipe já experiente, liderada por Hakeem Olajuwon e Othis Thorpe, ganhou um sopro de renovação em 1992. Rudy Tomjanovich, de apenas 42 anos, se tornou o técnico da equipe, que draftou Robert Horry em 1992 e Sam Cassell em 1993. Já na temporada 1992-93, o time teve uma melhora significativa na primeira fase e foi até a semifinal de conferência no Oeste.
Mas foi em 1993-94 que os Rockets encaixaram de vez, com o grande início de 19-1. Depois de um meio de temporada turbulento, com algumas sequências de derrotas inesperadas, o time voltou a engrenar e garantiu a segunda posição da Conferência Oeste, atrás apenas do Seattle Supersonics, que teve vida curta nos playoffs.
Houston, por outro lado, foi longe. Despachou o Portland Trail Blazers sem dificuldades, depois venceu o Phoenix Suns de Charles Barkley numa série duríssima, pelo placar de 4 a 3. Depois foi a vez de vencer o Utah Jazz de John Stockton e Carl Malone, até chegar na final contra o New York Knicks de Patrick Ewing e companhia, que aproveitavam a primeira aposentadoria de Michael Jordan para tentar voltar a vencer a liga.
A série foi muito apertada, em que os Knicks estavam fazendo valer o mando de quadra e abriram 3 a 2. Mas os dois últimos jogos seriam em Houston, diante de uma torcida sedenta pelo primeiro título da história da franquia. O astro do time, Hakeem Olajuwon, que já era um dos principais jogadores da liga há anos, se consagrou.
Liderou o time em duas vitórias extremamente acirradas (86 x 84 e 90 x 84) e venceu o Finals MVP, MVP da temporada e Melhor Defensor. Na temporada seguinte, apesar de um pouco mais instáveis, os Rockets repetiriam a dose e faturariam o bicampeonato da NBA.
E os Bulls de Michael Jordan?
Donos da melhor campanha da história até o feito dos Warriors em 2015-16, o Chicago Bulls de Michael Jordan e grande elenco nunca conseguiu ter 19 vitórias nos primeiros 20 jogos. A vez em que chegou mais perto foi justamente na temporada 1995-96, do então recorde de 72-10, quando tinham 18-2 nas primeiras rodadas.
Nas campanhas dos títulos, inclusive, alguns anos foram marcados por instabilidade no começo da temporada. Em 1990-91, a campanha era de 12 vitórias e 8 derrotas. Depois, em 1991-92, um início bem melhor, com 17-3. Já em 1992-93, 14-6.
Quando Jordan teve a primeira temporada completa após voltar da aposentadoria, no já citado ano de 1995-96, 18-2. Na sequência, outro 17-3, agora em 1996-97. Por fim, no ano do hexacampeonato, em 1997-98, a campanha era de 12-8.


