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Carne premium com Caracu: a genética e o manejo que geram gado de 23 arrobas

Pecuaristas, a busca por animais adaptados e de alta performance tem levado o setor a resgatar raças que se confundem com a história do Brasil. O caracu, a primeira raça bovina a desembarcar no país, é um exemplo de animal que, após ser dado como extinto, está revivendo um passado glorioso e se mostrando uma excelente opção para a produção de carne premium. Assista ao vídeo abaixo e confira.

O programa Giro do Boi recebeu Renato Francisco Visconti Filho, vice-presidente da Associação Brasileira de Criadores de Caracu (ABC Caracu).

Ele explicou como a raça, que chegou a ser a segunda maior do Brasil até a década de 1960, se modernizou e hoje é uma excelente opção para a pecuária moderna.

O caracu e a adaptação ao cocho

Vaca Nelore com bezerro meio-sangue Caracu ao pé. Foto: Acervo/Renato Francisco Visconti Filho
Vaca Nelore com bezerro meio-sangue Caracu ao pé. Foto: Acervo/Renato Francisco Visconti Filho

Apesar de ser um animal rústico, que se adaptou a mais de 500 anos de adversidades no Brasil, o caracu é um animal que se destaca em confinamento, provando sua versatilidade.

  • Fácil adaptação: Por ser taurino, o caracu se adapta facilmente ao cocho, comendo bem e tendo uma conversão alimentar muito boa.
  • Precocidade: A raça tem precocidade sexual e de desenvolvimento, o que a torna ideal para a pecuária moderna, com ciclos mais curtos e eficientes.
  • Carne macia: A carne de caracu é macia e de qualidade, e pode ser consumida por qualquer pessoa, atendendo às exigências dos mercados mais nobres.

O caracu em cruzamento com outras raças (seja taurinas ou zebuínas) pode fechar abates de 21, 22 e até 23 arrobas em animais sobreano, o que mostra o potencial de ganho de peso da raça.

As entidades de pesquisa como o IZ (Instituto de Zootecnia) de Sertãozinho (SP) e a Embrapa Gado de Corte têm rebanhos experimentais há décadas, o que comprova o potencial da raça.

O gene mocho e a modernização da raça

Reprodutor Caracu em área de pastagem. Foto: Acervo/Renato Francisco Visconti Filho
Reprodutor Caracu em área de pastagem. Foto: Acervo/Renato Francisco Visconti Filho

Um dos grandes avanços na raça foi a introdução do gene mocho, que veio do mocho nacional, um gado que apareceu na região de Goiás.

O gene mocho, que atende a uma demanda do mercado para facilitar o manejo em confinamentos, trouxe outros benefícios para a raça:

  • Acabamento de carcaça: A mochação resultou em um animal com maior convexidade e um acabamento mais moderno, que atende à exigência do mercado.
  • Encurtamento do ciclo: A genética do mocho trouxe uma precocidade de desenvolvimento, o que encurta o ciclo de produção e aumenta a rentabilidade.

A ABC Caracu não tem a visão de separar o “chifrudo” do mocho. Há espaço para todos, e o caracu mocho é mais uma opção para os produtores que buscam a eficiência e a modernização.

O potencial da genética e a oportunidade

Reprodutor Caracu em área de curral. Foto: Acervo/Renato Francisco Visconti Filho
Reprodutor Caracu em área de curral. Foto: Acervo/Renato Francisco Visconti Filho

A história do caracu é a história de um animal sobrevivente que se adaptou a todas as adversidades. A associação tem um projeto de genômica para acontecer e busca identificar indivíduos que possam encurtar ainda mais o ciclo de produção.

Renato Visconti Filho ressalta que o caracu ainda tem um rebanho pequeno, o que o torna uma oportunidade para novos criadores. O fato de o Zé Mineiro, um dos fundadores da JBS, com 93 anos, ter se associado à associação para criar a raça, mostra o quanto o caracu é um animal promissor.

A dedicação de Renato e de tantos outros criadores, que investem em melhoramento genético e na comunicação, tem o objetivo de fazer a raça crescer e garantir que ela continue a ser um patrimônio da pecuária nacional.

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