EPR Litoral Pioneiro contempla trabalhos mais profundos e robustos nas rodovias PR-151, PR-092, BR-153 e BR-369 –
A Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) emitiu um ofício ao Ministério Público Federal (MPF), para apurar a arrecadação das concessionárias de pedágio vencedoras dos lotes 1 e 2, no primeiro ano de contrato.
Conforme a federação, o montante recebido pelas empresas foi R$ 433 milhões a mais do valor máximo pactuado no contrato. O fator estaria extrapolando o modelo econômico-financeiro dos editais de licitação.
No ofício, a Fiep argumenta que a empresa Via Araucária, que arrematou o lote 1, teve uma arrecadação de R$ 534 milhões em um ano de contrato, no entanto, a previsão inicial máxima seria de R$ 364 milhões, se tornando um acréscimo de R$ 170 milhões.
Já a concessionária EPR Litoral, que venceu o lote 2, teria recebido R$ 708 milhões em um ano de cobrança de pedágio, mas o teto máximo seria de R$ 445 milhões, resultando em uma diferença de R$ 263 milhões.
Pelo contrato, o excedente arrecadado deveria ser devolvido à Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) e depositado em uma conta vinculada ao contrato. O dinheiro poderia ser usado para custear uma obra ou para abater o valor da tarifa cobrado nas cabines do pedágio.
Neste caso, segundo a Fiep, a Via Araucária deveria devolver R$ 170 milhões, e a EPR Litoral R$ 263 milhões.
A federação chegou a comunicar a ANTT, mas a solicitação não foi acatada.
O mesmo contrato, que prevê um teto para arrecadação das pedageiras, estipula também um valor mínimo — no item ‘Mecanismo de Mitigação do Risco de Receita’. Neste caso, a ANTT teria que arcar com metade do prejuízo e devolver parte do valor às empresas.
O tema foi debatido também na sessão da Assembleia Legislativa. O deputado Evandro Araújo afirmou que, assim como a Fiep, vai acionar o Ministério Público para averiguar o caso.
Em entrevista ao Portal aRede, Rafael Issa Rickli, coordenador Regional Campos Gerais Centro Oriental da Fiep, declarou que Ponta Grossa está localizada no cruzamento de algumas das rodovias mais estratégicas do Paraná e do Brasil: BR-376, BR-373, PR-151 e PRC-373. “Esses corredores logísticos sustentam a indústria, o agronegócio, o comércio e o transporte de cargas e de passageiros em toda a região dos Campos Gerais”.
No entanto, ele afirma que a realidade vivida hoje, pelos motoristas que passam por esses trechos, está distante da importância econômica que eles representam. “Buracos, remendos sucessivos, erosões nas margens, alças de acesso comprometidas e trechos com segurança reduzida, têm se tornado rotina”. Rafael disse haver inúmeras reclamações de usuários. “O usuário paga pela segurança e pela qualidade, e não para desviar de crateras ou arcar com prejuízos mecânicos”.
O coordenador ainda ressaltou que o contrato das novas concessões prevê bilhões em investimentos estruturais, como contornos, duplicações e obras de modernização. “Esses projetos são relevantes e necessários para preparar a região para o futuro. O contorno de Ponta Grossa definirá o futuro da cidade e seus limites. Com toda essa importância, ele deve ser amplamente discutido com a sociedade e o poder público”.
Porém, Rafael declara que existe uma urgência que não pode esperar: a manutenção imediata dos trechos já concedidos. “Ponta Grossa e os Campos Gerais merecem uma malha rodoviária compatível com sua força econômica”. Para ele, é essencial que as concessionárias e o poder público ajam com rapidez, transparência e eficiência para garantir condições adequadas de tráfego e segurança, valorizando quem produz, quem transporta e quem move a economia da região.
Rafael Issa Rickli, coordenador Regional Campos Gerais Centro Oriental da Fiep | Foto: Redes sociais
PRVIAS – A PRVias, uma empresa Motiva, completou no último dia 16, seis meses de operação no Paraná e investiu R$ 243 milhões na execução de melhorias e serviços até o último balanço trimestral, divulgado em 30 de setembro. O trabalho mostra o compromisso em oferecer mais segurança e conforto para o cliente que trafega por 569 quilômetros de rodovias.
A concessionária administra trechos da BR-376, BR-373, BR-369, PR-445, PR-323, PR-170 e PR-090, em regiões que contemplam 21 municípios entre os Campos Gerais e o Norte do estado. A PRVias promoveu serviços de pavimentação asfáltica, roçagem, capina, pintura, substituição de placas, entre outros serviços, e também na estrutura de atendimento.
Ao Portal aRede, a PRVias declarou que cumpre os parâmetros contratuais com a ANTT, buscando antecipar entregas e superar padrões de qualidade.
Conforme a concessionária, os primeiros 12 meses de operação compõem os trabalhos iniciais, destinados a eliminar problemas que impliquem riscos iminentes, provendo o Sistema Rodoviário de requisitos necessários de segurança e conforto. A PRVias completou seis meses de operação em 16 de novembro.
“As equipes trabalham dia e noite na recuperação e conservação das rodovias, priorizando operações noturnas em áreas urbanas para reduzir impacto no tráfego”.
Segundo a empresa, durante o período de chuvas, é passível o aparecimento de buracos devido às rachaduras no asfalto e pelo estágio dos trabalhos, ainda nos primeiros 12 meses. A ANTT exige operações de tapa-buracos, de forma emergencial.
Posteriormente, a concessionária faz a recuperação estrutural da pista – remoção do asfalto para aplicação de pavimento novo, sem rachaduras e mais resistente à formação de novos buracos. “Foram mais de 90 mil toneladas em Concreto Betuminoso Usinado à Quente (CBUQ) em seis meses, o equivalente a 6 mil caminhões basculantes”, disse a PRVias.
De acordo com a empresa, houve superação no serviço de roçagem, em mais de 14 milhões de metros quadrados de áreas verdes; limpeza de mais de 260 km de canaletas; sinalização horizontal de faixa de rodovias em quase a totalidade dos trechos administrados; implantação de mais de 25 mil tachas refletivas no solo; e substituição de mais de 2,7 mil placas de sinalização.
“Foram mais de 12 mil atendimentos de socorro mecânico e mais de 2 mil de resgate médico. Há guincho e ambulância a cada 50 km do trecho administrado”, ressaltou a PRVias.
Ainda, veículos de inspeção rodam 24 horas ao dia para registrar inconformidades na pista e atendimento a clientes. A PRVias também conta com uma parceria com o aplicativo Waze, de navegação por GPS, e qualquer cliente pode compartilhar informações sobre qualquer tipo de problema nas rodovias. Os registros são feitos em tempo real e há acionamento de equipes de ação emergencial.
Por fim, a concessionária reforça o objetivo superar parâmetros de conforto e qualidade no atendimento aos clientes de serviços rodoviários.
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EPR LITORAL PIONEIRO – Já André Barreto, gerente de Obras da EPR Litoral Pioneiro, afirmou que,desde o início da concessão, as rodovias administradas, inclusive na região dos Campos Gerais, recebem serviço de manutenção, recuperação e conservação, entre elas obras no pavimento, na sinalização vertical e horizontal, nos sistemas de drenagem e roçada. Segundo ele, o trabalho é contínuo e a fase atual é a de recuperação.
Ao Portal aRede, André destacou o início da nova etapa de obras nas rodovias sob sua concessão nos Campos Gerais e do Norte Pioneiro. A chamada fase de recuperação contempla trabalhos mais profundos e robustos nas rodovias PR-151, PR-092, BR-153 e BR-369, além da construção de um Ponto de Parada de Descanso para caminhoneiros e de postos policiais. O trabalho da EPR Litoral Pioneiro no lote 2 de concessões das rodovias no Paraná teve início em fevereiro de 2024.
O gerente de obras relembra que, com a atuação da empresa, as PRs 151 e 239 voltaram a receber atendimento operacional, enquanto a PR-092, entre Jaguariaíva e Santo Antônio da Platina, é concessionada pela primeira vez desde agosto de 2024. A novidade trouxe um impacto significativo na segurança, infraestrutura e mobilidade da região, conforme a EPR.
Segundo André, os usuários têm à disposição estrutura completa de apoio, composta por ambulâncias para atendimento médico na rodovia, guinchos para veículos pesados e leves, caminhão pipa, caminhão de resgate de animais e veículos de inspeção de tráfego, além das bases de Serviço de Atendimento ao Usuário (SAUs). As unidades são equipadas com ar-condicionado, banheiros, fraldário, sala de atendimento, área para descanso e totem para acionamento de serviços da concessionária.
Nos primeiros 18 meses de trabalho, de acordo com André, foram investidos em todo o trecho sob concessão mais de R$ 500 milhões na recuperação do pavimento, com mais de 700 quilômetros de faixas recuperadas, manutenção e substituição de 21 mil placas de sinalização vertical e 560 mil m² de pintura de faixas de sinalização horizontal, a instalação de 252 mil tachas, além da revitalização da iluminação, limpeza do sistema de drenagem, recuperação de estruturas, entre outros serviços. A expectativa é de que nos primeiros sete anos serão investidos em todo o trecho administrado pela EPR Litoral Pioneiro R$ 8 bilhões em obras.
Em relação à manutenção da sinalização vertical e horizontal, o gerente de obras afirmou que é feita permanentemente pela concessionária, bem como a manutenção do pavimento e das condições gerais das rodovias, que geram impacto direto na segurança dos usuários. Além disso, a EPR Litoral Pioneiro atua na orientação aos motoristas e os mantém informados sobre as condições da rodovia por meio de seus canais de comunicação no WhatsApp e no X.
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VIA ARAUCÁRIA – No município de Ponta Grossa, a Via Araucária é responsável pela administração de um trecho de 15 km da BR-373. A concessionária administra as rodovias do Lote 1 do Sistema Rodoviário do Paraná desde fevereiro de 2024.
Desde que assumiu a administração do Lote 1, a Via Araucária declarou que trabalha de forma constante, em todos os trechos, em recuperação de pavimento, reforço de sinalização vertical e horizontal, além da instalação de Equipamentos de Proteção Coletiva (EPCs), que incluem defensas metálicas, por exemplo. Todas essas melhorias também englobam o trecho em Ponta Grossa.
Na BR-373, especificamente, o contrato de concessão prevê a duplicação de todo o trecho entre Ponta Grossa e o Trevo do Relógio, em Prudentópolis. O projeto também prevê a instalação de novos dispositivos de acesso e retorno.
Sobre o investimento nas sinalizações das vias, em busca da redução do número de acidentes, a Via Araucária diz desenvolver um conjunto de ações integradas para facilitar a sinalização nas rodovias sob sua gestão e reduzir o número de acidentes. Esse trabalho envolve:
– Obras de duplicação e melhorias estruturais
As intervenções em andamento ampliam a capacidade das vias, organizam o fluxo, reduzem conflitos entre veículos e criam condições mais seguras para todos os usuários. Todas as obras de ampliação previstas no contrato de concessão serão entregues até 2031.
– Monitoramento constante das rodovias
Equipes especializadas acompanham periodicamente condições da pista, da sinalização e do tráfego, identificando rapidamente qualquer ocorrência que exija intervenção.
– Manutenção permanente da sinalização
A concessionária realiza inspeções frequentes e executa reparos preventivos e corretivos em placas, pintura horizontal, tachões e dispositivos de segurança, garantindo que tudo esteja sempre visível e em boas condições.
– Fábrica própria de placas
A unidade interna de produção, localizada em Irati, agiliza a fabricação e substituição da sinalização vertical. Isso permite respostas mais rápidas, padronização, qualidade e eficiência na atualização dos dispositivos.
– Campanhas educativas de trânsito
A Via Araucária promove ações de conscientização voltadas para motoristas, pedestres e comunidades, reforçando comportamentos seguros e o respeito às normas de circulação.
Praça de Purunã fica entre Ponta Grossa e Curitiba | Foto: Divulgação/Via Araucária
AUMENTO DE ACIDENTES NAS RODOVIAS REQUER AÇÕES PONTUAIS
O grande número de acidentes registrados nas rodovias de Ponta Grossa preocupa motoristas. Em um balanço divulgado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), de 1° de novembro de 2024 a 25 de novembro de 2025, foram constatados 191 acidentes na BR-277, na região de Balsa Nova e Campo Largo, trecho administrado pela delegacia de Ponta Grossa. Do total de acidentes, 181 pessoas ficaram feridas e 11 morreram.
Já no trecho da BR-376 entre Ponta Grossa e Balsa Nova, ocorreram 184 acidentes, com 195 feridos e 14 mortes. Enquanto na BR-373, entre Ponta Grossa e Guamiranga, aconteceram 190 acidentes, com 199 vítimas e 28 pessoas mortas.
Em relação às causas dos acidentes, os principais fatores que ocasionaram colisões nas rodovias federais de Ponta Grossa, conforme a PRF, são: reação tardia ou ineficiente do condutor e ausência de reação do condutor.
Em entrevista ao Portal aRede, Luís Fernando Berteli, chefe da delegacia PRF de Ponta Grossa, afirmou que existem vários fatores que influenciam diretamente na segurança das estradas. “Um deles é a infraestrutura, o investimento. Através das melhorias das vias, como a duplicação de estradas simples, já vai trazendo melhora para a segurança nas rodovias federais”.
Sobre o trabalho da PRF para reduzir o número de acidentes nas rodovias, Berteli disse que se trata de um policiamento diferenciado. “Por ser um trecho longo, geralmente, não tem como os agentes estarem em todos os lugares ao mesmo tempo, não tem o efetivo para compreender toda a distância de policiamento devida”.
Por isso, a PRF atua diretamente em fiscalizações, na abordagem de veículos, juntamente do monitoramento por câmeras. “Tem a tecnologia que utilizamos para reduzir o número de acidentes. Também temos vários grupos de educação no trânsito que sempre realizam palestras e eventos para fazer a conscientização dos usuários e promover a segurança nas estradas”.
O inspetor da PRF ressaltou que as causas de acidentes não possuem um único fator e, para ele, com as concessões que entraram em 2024 e em 2025, as rodovias já vêm apresentando melhoras. “Mas tudo é um projeto para os próximos anos, várias duplicações, contornos, viadutos e passarelas a serem implementados. De modo geral, podemos dizer que tem muita coisa para melhorar, mas as condições mínimas das nossas rodovias são boas”.
Ele disse que existem muitos detalhes que a PRF conversa com as concessionárias, sempre atuando de forma conjunta com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), assim como órgãos públicos, como prefeituras e associações. “Sempre discutimos a segurança no trânsito, buscando intervenções e melhorias. Mas uma das principais causas dos acidentes, tem culpa dos condutores. Uma falta de atenção que faz com que agrave ou ocasione colisões, além do excesso de velocidade”.
Em relação às obras existentes nas rodovias, Berteli afirmou que às vezes acontece de um motorista, com falta de atenção, em um ambiente onde estejam ocorrendo obras, acabar se acidentando nesse local. “Mas, geralmente, as sinalizações são normatizadas, desde a sinalização para qualquer obr. Tem uma norma a ser seguida e, quando as concessionárias estão realizando obras, geralmente tem que ter sinalização conforme essas obras. Estamos sempre de olho, mas de maneira geral, as obras da nossa região são bem sinalizadas”.
Já sobre o socorro de vítimas, o inspetor ressaltou que as concessionárias auxiliam muito no tempo de resposta para atendimento de ocorrências, diminuindo o número de mortes. “Quanto antes chega o socorro médico, maior a chance de não resultar em óbito ou num agravamento de ferimentos. Então, esse atendimento é muito bem realizado pelas concessionárias e com apoio do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e Serviço de Integrado de Atendimento ao Trauma e Emergência (Siate) do Corpo de Bombeiros, toda essa gerência, principalmente com as concessionárias, ajudam a evitar mortes e agravamento de feridos”.
Luís Fernando Berteli, chefe da delegacia PRF de Ponta Grossa | Foto: Divulgação
A equipe de Jornalismo também entrou em contato com a Polícia Rodoviária Estadual (PRE), que não repassou o número de acidentes registrados nas rodovias.
Em entrevista ao Portal aRede, a prefeita de Ponta Grossa, Elizabeth Schmidt, disse acreditar que as concessionárias que administram os trechos das rodovias de Ponta Grossa estão entrando nos eixos. “Temos muitos problemas pontuais a serem resolvidos, mas eles estão tentando corresponder e sempre estou conversando com todos eles”.
No entanto, a prefeita ressaltou que não é o papel da prefeitura fiscalizar os trabalhos das concessionárias, por existir um órgão específico para esse controle. “Mas o meu papel é solicitar ajuda, apoio e mandar ofícios. Pedir que eles façam o trabalho para a redução dos acidentes, principalmente na cidade”.
Em outubro deste ano, o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social de Ponta Grossa (CDEPG) encaminhou um ofício ao Grupo CCR, solicitando a análise de uma proposta técnica para adequação do traçado do Contorno Rodoviário de Ponta Grossa. O documento, assinado em conjunto com outras entidades locais, apresenta uma alternativa considerada mais adequada sob os pontos de vista urbanístico, ambiental e logístico.
A manifestação do Conselho ocorre em razão da indefinição sobre o traçado final do contorno, que integra a concessão federal administrada pela concessionária. O CDEPG destaca que a proposta foi elaborada de forma antecipada, com base em estudos técnicos e reuniões realizadas com representantes do setor produtivo, instituições de ensino, órgãos de classe e lideranças locais. O objetivo, segundo o texto, é contribuir de forma proativa com o processo de decisão da concessionária e dos órgãos federais envolvidos.
A prefeita ressaltou que já teve reuniões com as concessionárias, encaminhou ofícios pedindo melhorias na sinalização vertical e horizontal, assim como na pista de rolamento. “Pedi intervenções em relação ao Rio Ronda, para que eles fossem até o Rio Tibagi, mas eles não podem ir além do seu domínio”. Ela ainda destaca que solicitou uma reunião que acontecerá em dezembro, sobre o novo Contorno Norte.
Já em relação ao grande fluxo de caminhões em Ponta Grossa, Elizabeth declarou que o município é um ‘hub’ logístico muito grande. “Nós somos a capital dos caminhoneiros, o número de caminhões que entra e sai da nossa cidade é muito grande todos os dias e as vias rodoviárias são extremamente importantes para a segurança dessas pessoas”.
Prefeita de Ponta Grossa, Elizabeth Schmidt | Foto: Arquivo aRede
O secretário de Infraestrutura e Planejamento, Luiz Honesko, afirmou que a meta é assegurar que a infraestrutura rodoviária de Ponta Grossa não apenas suporte, mas impulsione o desenvolvimento da cidade, com obras que sejam executadas com o máximo de eficiência, segurança e o menor transtorno possível para os cidadãos. “É um compromisso com a excelência operacional e a visão de futuro que merecemos”.
A Secretaria Municipal de Infraestrutura e Planejamento informou que adota uma abordagem de acompanhamento estratégico e rigoroso em relação ao cumprimento dos parâmetros de desempenho estabelecidos no Programa de Exploração Rodoviária (PER) das concessões que tangenciam nosso território.
Embora a prerrogativa de fiscalização direta dessas concessões seja de competência federal, exercida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o compromisso com a população de Ponta Grossa, por parte da secretaria, os impulsiona a manter um monitoramento ativo e uma interlocução contínua e incisiva junto à ANTT. “Nossa expectativa é que a ANTT atue com a máxima diligência e eficácia regulatória, garantindo que as concessionárias cumpram integralmente suas obrigações contratuais e os padrões de serviço esperados”.
Nesse contexto, a Secretaria de Infraestrutura e Planejamento reitera e intensifica a cobrança para que a ANTT eleve substancialmente seu padrão de atuação e fiscalização, alinhando-se aos modelos de excelência e às melhores práticas observadas no cenário nacional. “A referência aqui é a ARTESP (Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo), que reconhecemos como o estado da arte em regulação de concessões rodoviárias, pautada por um rigor técnico e uma efetividade que se traduzem em benefícios concretos para os usuários. Esperamos que a ANTT espelhe essa performance, exercendo seu papel com a proatividade e a profundidade necessárias”, declarou.
Segundo a Secretaria, é reconhecido que os contratos de concessão possuem uma modelagem robusta e que as concessionárias detêm capacidade técnica significativa. “No entanto, a excelência na infraestrutura depende intrinsecamente de uma fiscalização que assegure a aderência irrestrita aos termos contratuais e aprimoramentos contínuos. É essa sinergia entre boa modelagem, capacidade técnica e fiscalização atuante que garantirá a entrega de um serviço de alta qualidade à nossa comunidade”.
Na visão da Secretaria, o planejamento e a execução das obras por parte das concessionárias devem ser intrinsecamente orientados por uma visão de minimização de impacto e maximização da fluidez do tráfego, com foco na experiência do usuário. Para tal, as seguintes diretrizes técnicas são mandatórias:
Planejamento Proativo e Colaborativo: Um planejamento de obras que antecipe cenários, com alinhamento estratégico e constante com os órgãos de trânsito municipais e estaduais. A coordenação interinstitucional é vital para identificar e mitigar potenciais gargalos.
Gestão de Tráfego Baseada em Dados (ITS): A utilização intensiva de Sistemas Inteligentes de Transporte (ITS) é fundamental. Isso inclui monitoramento em tempo real, capacidade de resposta rápida a incidentes e a implementação de estratégias dinâmicas de desvio e sinalização para otimizar o fluxo.
Comunicação Transparente e Multicanal: As concessionárias devem estabelecer um plano de comunicação robusto, utilizando todos os canais disponíveis (painéis variáveis, aplicativos, mídias sociais, imprensa) para informar os usuários sobre intervenções, prazos e rotas alternativas com clareza e máxima antecedência.
Otimização Logística de Cronogramas: A execução de etapas de maior impacto deve ser estrategicamente agendada para períodos de menor demanda viária, como horários noturnos, feriados ou finais de semana, sempre respeitando os parâmetros de segurança e viabilidade técnica.
Inovação e Produtividade Construtiva: A adoção de tecnologias e metodologias que acelerem o processo construtivo, como a utilização de pré-fabricados e técnicas de cura rápida, é crucial para reduzir o tempo de exposição da infraestrutura a obras e minimizar as interrupções.
KPIs de Desempenho no Tráfego: Os contratos e a fiscalização da ANTT devem incorporar Indicadores Chave de Performance (KPIs) específicos que mensurem e recompensem a minimização do impacto no tráfego, incentivando as concessionárias a desenvolverem soluções inovadoras e eficientes.
“Nossa meta é assegurar que a infraestrutura rodoviária de Ponta Grossa não apenas suporte, mas impulsione o desenvolvimento da cidade, com obras que sejam executadas com o máximo de eficiência, segurança e o menor transtorno possível para os cidadãos. É um compromisso com a excelência operacional e a visão de futuro que merecemos”, afirmou a Secretaria de Infraestrutura e Planejamento.
Luiz Honesko, secretário de Infraestrutura e Planejamento | Foto: Arquivo aRede
Ao Portal aRede, o deputado estadual e coordenador da Frente Parlamentar das Engenharias e Infraestrutura da Assembleia, Fabio Oliveira, declarou que a Frente Parlamentar das Engenharias e Infraestrutura da Assembleia Legislativa, em parceria com o setor produtivo — o G7 — e com entidades técnicas como o Instituto de Engenharia do Paraná e o Crea-PR, vem atuando desde março de 2024 na fiscalização permanente dos novos pedágios. “O nosso papel, enquanto Assembleia, é acompanhar cada passo das concessões, verificar o cumprimento das obrigações e garantir que o cidadão receba o serviço pelo qual paga”, disse.
Fabio afirmou que, dentro desse contexto, considera prematura a cobrança autorizada pela ANTT no Lote 3. “A CCR iniciou a arrecadação sem entregar a manutenção mínima e sem executar obras emergenciais na velocidade necessária”. Em viagens recentes pelo interior, o deputado declarou que percorreu trechos sob responsabilidade da concessionária e pôde constatar pessoalmente a ausência de serviços que deveriam estar em andamento desde o início da operação.
“Diante desse cenário, busquei diálogo direto com a CCR, cobrando providências imediatas. E, como os problemas persistem, oficiei formalmente a ANTT para que apure o descumprimento contratual e adote as medidas cabíveis”, comentou Fabio. Na avaliação do deputado, não é justo que o paranaense, especialmente quem depende das rodovias de Ponta Grossa, pague por um serviço que claramente ainda não está sendo entregue.
Por fim, o deputado declara que o seu compromisso segue sendo o mesmo: fiscalizar, cobrar e garantir que cada centavo do pedágio volte em segurança, manutenção e obras que realmente melhorem a vida das pessoas. E reforça: “Não podemos, em nenhuma hipótese, repetir os erros do passado”.
Deputado estadual e coordenador da Frente Parlamentar das Engenharias e Infraestrutura da Assembleia, Fabio Oliveira | Foto: Valdir Amaral/Alep
Para a equipe de Jornalismo do Portal aRede, o Presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Ponta Grossa (Sindiponta) e diretor da TransPrimo Ponta Grossa, Edis Luiz Moro Conche, o município é o maior entroncamento rodoferroviário do sul. “Ela é cortada por três rodovias, possui três concessões, tendo três concessionarias diferentes. A gente sabe que essas rodovias ficaram um tempo sem iniciativa privada, deixando as vias num estado bem crítico, não só para o transporte de cargas, mas para usuários no geral”.
Ele ressalta que, com as concessionárias, houve certa melhora, mas o setor de transporte precisa de mais melhorias. “Principalmente sobre sinalizações no trecho urbano, que nós consideramos precaríssimas, resultando em acidentes na avenida Souza Naves e na avenida Presidente Kennedy”. Edis declara cobrar uma melhor sinalização por parte das concessionárias e da PRF, buscando reduzir o número de acidentes.
“Um ponto bem importante é que nós temos vários radares nesses trechos e, às vezes, a sinalização está somente no radar, podendo ocasionar uma colisão traseira”. Com isso o presidente do Sindiponta pede uma melhor sinalização viária, principalmente no trecho urbano da cidade.
Conforme Edis, em alguns trechos já existiam buracos na pista. “O setor de transporte quer qualidade na pista de rodagem, o caminhão impacta muito no pavimento, sofrendo com buracos”. Ele espera uma segurança maior nas rodovias e a mesma qualidade no pavimento da faixa da direita e da esquerda. “O desvio de buracos pode ocasionar acidentes”.
Para o presidente do Sindiponta, um grande problema é a demora nas cabines de pedágios, por conta do grande fluxo de veículos e do baixo número de cabines disponíveis. “Nós temos usuários que demoram 40 minutos no pedágio de São Luiz do Purunã”. Além da longa espera de motoristas, para a retirada de veículos das vias, quando ocorre um pane mecânico.
Por fim, ele ressalta a necessidade da melhora na qualidade do pavimento das rodovias, “Precisa ser um pavimento digno do valor que estamos pagando”.
Edis Luiz Moro Conche, diretor da TransPrimo Ponta Grossa | Foto: Arquivo Pessoal


