
Cinco anos depois de chegar ao Brasil, Abel Ferreira é mais do que um técnico vencedor: é o símbolo de uma era dourada do Palmeiras. Quando desembarcou no clube, em 2020, o português ainda buscava o primeiro título da carreira. Desde então, levantou dez taças — e agora persegue a Libertadores de 2025, que pode ser a 11ª conquista e consolidá-lo de vez entre os maiores treinadores da história do futebol sul-americano.
Do desconhecido ao maior campeão da história do Verdão
Abel Ferreira assumiu o Palmeiras como aposta, mas rapidamente transformou dúvida em reverência. Hoje, é o maior campeão da história do clube, com dez títulos, ao lado de Oswaldo Brandão, e o técnico mais longevo do Verdão em uma única passagem, algo inédito no futebol brasileiro neste século.
Desde sua chegada, o cenário em volta mostra o tamanho do feito: enquanto Abel manteve estabilidade e conquistas, os outros 19 clubes da Série A acumularam 183 treinadores diferentes no mesmo período. Nenhum outro comandante completou cinco anos consecutivos em um time da elite.
Feitos inéditos e hegemonia em números
Com 356 jogos, 210 vitórias, 82 empates e 66 derrotas, o comando do português soma 601 gols marcados e 285 sofridos.
Abel coleciona recordes e quebrou diversas marcas históricas do Palmeiras:
- Mais títulos na história do clube – 10 (ao lado de Oswaldo Brandão)
- Mais títulos internacionais – 3
- Mais vitórias na Libertadores pelo Palmeiras – 40
- Mais jogos pela Libertadores – 60
- Técnico estrangeiro com mais vitórias e jogos – 208 triunfos em 356 partidas
- Mais vitórias no Allianz Parque – 104 em 156 jogos
- Mais vitórias no Brasileirão pelo clube – 98
Além disso, é o primeiro técnico europeu a conquistar Libertadores, Brasileirão, Copa do Brasil, Recopa, Supercopa e Estadual no futebol brasileiro — um feito que nenhum outro estrangeiro conseguiu.
O caminho para o tri da América
Com o Palmeiras em mais uma decisão continental, Abel Ferreira se aproxima de um feito histórico. O português pode se tornar apenas o terceiro técnico tricampeão da Libertadores, igualando Osvaldo Zubeldía, tricampeão com o Estudiantes (1968, 1969 e 1970), e ficando atrás apenas de Carlos Bianchi, o argentino multicampeão por Vélez (1994) e Boca Juniors (2000, 2001 e 2003).
O treinador também integra um grupo de apenas quatro europeus campeões da Libertadores, ao lado de Mirko Jozić (Colo-Colo, 1991), Jorge Jesus (Flamengo, 2019) e Artur Jorge (Botafogo, 2024).
Na atual edição, ao golear a LDU por 4 a 0 no Allianz Parque e garantir vaga na decisão, Abel entrou para o top 10 de técnicos com mais vitórias na história da competição. Além disso, tornou-se o terceiro treinador a disputar três finais seguidas de Libertadores pelo mesmo clube, feito dividido com nomes como Telê Santana, Marcelo Gallardo e Renato Gaúcho.
O europeu que se tornou símbolo nacional
Primeiro português e 11º europeu a comandar o Palmeiras, Abel iniciou sua carreira como técnico nas categorias de base do Sporting Lisboa, em 2011. No Verdão, fez história desde o início e passou a ser referência de continuidade em um futebol marcado pela instabilidade.
Maior campeão internacional do clube, Abel é também o primeiro europeu campeão paulista desde 1957, quando o húngaro Béla Guttmann comandou o São Paulo. Pelo Verdão, o último estrangeiro campeão estadual havia sido o uruguaio Ventura Cambon, em 1950.
Ranking de títulos de técnicos do Palmeiras
- Abel Ferreira e Oswaldo Brandão – 10 títulos
- Vanderlei Luxemburgo – 8
- Ventura Cambon – 7
- Luiz Felipe Scolari – 6
Liderança, legado e estabilidade
O sucesso de Abel Ferreira vai além dos troféus. Ele implantou uma cultura de competitividade e mentalidade vencedora que transformou o Palmeiras em um clube estável, capaz de planejar a longo prazo.
Sob seu comando, o Verdão deixou de ser apenas protagonista em campo e passou a ser modelo de gestão e continuidade.
Enquanto os rivais se perderam em mudanças e recomeços, Abel construiu uma era.
E agora, diante de mais uma final de Libertadores, o português não luta apenas por outro título — ele busca o lugar definitivo no panteão dos maiores técnicos da história do futebol sul-americano.


