O tarifaço imposto pelos Estados Unidos aos produtos importados do Brasil resultou, em um primeiro momento, em oscilações na pecuária brasileira e dúvidas sobre a perda de mercado para a carne nacional.
Contudo, as cotações da arroba já seguem em patamares mais normalizados e não devem mais ser impactadas por esse motivo. A avaliação é da analista de mercado da consultoria Datagro Isabela Ingrácia.
“As exportações [de carne bovina] do Brasil têm se mantido em níveis recordes ao longo desses últimos dois meses, que foram o período em que já temos o tarifaço implementado. Mesmo que no acumulado deste ano os Estados Unidos ainda sejam o segundo maior destino das nossas exportações, o Brasil está diversificando cada vez mais seus destinos”, ressalta.
Segundo ela, apenas 4% de toda a proteína bovina exportada pelo Brasil tem o mercado norte-americano como destino. Enquanto isso, 5% de tudo o que os Estados Unidos consomem parte dos pecuaristas brasileiros.
“A gente vê realmente um movimento de alta nos preços da carne no mercado norte americano. Isso porque eles estão passando por problemas de oferta, uma grande liquidação do rebanho, principalmente de matrizes, e muitas dificuldades na produção, por isso eles estão dependendo cada vez mais do mercado internacional”, conta.
Movimento para reduzir tarifas
Isabela ressalta que o Brasil é o principal fornecedor mundial de carne bovina não apenas em termos de volume, mas também de preços atrativos.
A analista da Datagro ressalta que há movimentos nos Estados Unidos entre os principais importadores de carne brasileira e das grandes redes de fast food para buscar acordos comerciais que diminuam a tarifa para que a proteína bovina nacional possa voltar ao mercado norte-americano.
Preço da arroba
Com a cotação da arroba próximo de R$ 310 em São Paulo e em preços semelhantes nos grandes polos nacionais, Isabela reforça que o fator que ditará a continuidade deste movimento de estabilidade e alta nos próximos meses é a oferta de fêmeas com a chegada da estação de monta em meados de outubro e novembro.
“Também há a expectativa de um volume melhor de chuvas a partir de outubro. Então esse movimento é o que vai ditar realmente essas novas surpresas que a gente pode ter na arroba do boi gordo.”
Já no consumo interno, a analista destaca que o país vive em níveis até acima do observado no cenário de pré-pandemia.
“A competitividade com a carne de frango e a suína também está em um patamar positivo e atrativo para que o consumidor continue consumindo carne bovina, mesmo com os preços no mercado interno conseguido aumentar em ritmo parecido ao da arroba do boi”, conta.
Além disso, na visão de Isabela, os níveis de exportação da carne bovina no país, com cerca de 35% de tudo o que é produzido sendo embarcado, tende a exercer papel cada vez mais importante nos preços do mercado interno.
Cenário de preços para a arroba no 2° semestre
A analista da Datagro destaca que os preços da saca de milho seguem muito atrativos aos pecuaristas. “A gente vê que com a comercialização da safrinha e também com a maior produção no Brasil, ainda temos níveis atrativos na relação de troca desse insumo com o produtor”.
Assim, no segundo semestre, ainda há uma reposição que segue em viés de alta. “Mas a chegada da estação de monte e, consequentemente, uma menor oferta de fêmeas no mercado é o que deve, realmente, ditar os preços do boi gordo no mercado interno”, afirma.